
Em março de 1989, pela primeira vez na União
Soviética, realizaram-se eleições livres
para a escolha do Congresso dos Deputados do Povo; 180 milhões
de soviéticos foram à urnas, confiantes de
que viviam um momento único de sua história.
O pleito, de certa forma, referendou as diretrizes de Gorbatchev,
pois acabou impondo humilhante derrota aos candidatos oficiais.
Nesse novo cenário político, surgia com força
a figura de Bóris Yeltsin, eleito representante da
cidade de Moscou com 89,4% dos votos e adepto de reformas
mais aceleradas. Yeltsin havia sido prefeito de Moscou e
importante figura do Partido Comunista. Logo que Gorbatchev
lançou as propostas da glasnost e da perestroika,
Yeltsin passou a defendê-las com vigor. Era um ultra
reformista. Por isso, passou a sofrer violentas pressões
dos conservadores e acabou renunciando a seus cargos e passando
para a oposição.
Em fevereiro de 1990, uma nova legislação
partidária permitiu a organização de
partidos políticos. Era o fim da hegemonia absoluta
do Partido Comunista, que vigorava desde a Revolução
de 1917.
Logo ganhou força a Plataforma Democrática,
frente política liderada por Bóris Yeltsin.
Isso acentuava a pressão sobre Gorbatchev no sentido
de ampliar as reformas políticas e econômicas.
Mas a tarefa de transformar as velhas estruturas não
podia se concretizar de maneira tão rápida.
Mais de 70 anos de centralismo, produção subsidiada
e rigidez burocrática não se desfazem sem
grandes transtornos. A passagem do modelo estatizado de
produção para a economia de mercado gerou
alta de preços e escassez de produtos, aumentando
a insatisfação popular.
Enquanto isso, o movimento separatista, iniciado nas repúblicas
bálticas em 1990, crescia e se espalhava para outras
repúblicas.
Somente respostas positivas na economia poderiam reforçar
os laços que mantinham juntas as quinze repúblicas
soviéticas. Em março de 1991, um plebiscito
em toda a União Soviética confirmou por larga
maioria (76% ) o desejo de manter a união do país,
na forma de uma “federação renovada
de repúblicas soberanas”, com direitos iguais.
Ainda nesse ano, o Congresso dos Deputados do Povo aprovou
um programa econômico para acelerar a introdução
da economia de mercado, com a liberação dos
preços, a privatização de empresas
e o estímulo ao comércio exterior.
Gorbatchev achava-se numa posição delicada,
pressionado de um lado pelos ultra-reformistas, sob o comando
de Yeltsin, e de outro pelos comunistas ortodoxos, que faziam
tudo para solapar as reformas em curso.
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