
Além
de não ter conseguido a efetivação
do Tratado da União, Gorbatchev teve de presenciar
o surgimento da Comunidade de Estados Independentes
(CEI), criada a sua revelia pelos presidentes da
Rússia, da Ucrânia e da Bielo-Russia
(hoje Bielarus). O fim da União Soviética
se aproximava, deixando perplexo o mundo inteiro.
De fato, a 17 de dezembro de 1991, Gorbatchev era
informado de que a União Soviética
deixaria de existir na passagem do ano. Antecipando-se
em alguns dias, o idealizador da Perestroika renunciou
no dia de natal de 1991.
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No dia de Natal, em cerimônia transmitida por satélite
para o mundo inteiro, o líder soviético renunciou
ao cargo de presidente e comandante chefe das Forças
Armadas da União Soviética, transferindo a
Bóris Yeltsin o controle do arsenal nuclear.
Nas palavras de um comentarista: “Gorbatchev é
comunista e desabou com o comunismo sendo comunista. Assumiu
o poder, casou em si uma das mais difíceis combinações
humanas, a que une entusiasmo com prudência, entendendo
que a tolerância, em determinadas circunstâncias,
é uma virtude revolucionária, mas não
ousou ir até o fim (...) Descontente com o autoritarismo
(...), acreditou que a saída estava dentro do próprio
comunismo e, para isso, bastaria reformulá-lo. Padeceu
da utopia de que um sistema que esgota a sua experiência
pode ser retocado em reuniões e protocolos (...)
Gorbatchev nunca enxergou para fora do comunismo e aí
parou e andou para trás. Perdeu. Isso não
o faz um estadista de perspectivas limitadas mas, sim, leal
à necessidade de entendimento, no círculo
mesmo da História, que os homens têm de seu
tempo e seu limite”. (Antônio
Carlos Prado. Isto é/Senhor, 25/12/91.)
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