
Durante
a Segunda Guerra Mundial, a Iugoslávia foi ocupada
por forças nazistas. Surgiu então um movimento
guerrilheiro de resistência, comandado por Josef Broz
Tito. Terminada a guerra e expulsos os nazistas, Tito conseguiu
reunir sob sua liderança as diversas nacionalidades
que compunham o país e formar uma federação
com seis repúblicas: Sérvia, Croácia,
Eslovênia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro e
Macedônia,
Tito e seus seguidores eram socialistas, e o sistema político
estabelecido no país após a guerra foi o socialismo.
Inicialmente a Iugoslávia manteve-se alinhada com
a União Soviética de Stalin. Mas já
em 1948 Tito afastou-se das diretrizes impostas pela União
Soviética e definiu um modelo próprio de socialismo.
Uma das características desse modelo era a autogestão
das fábricas pelos operários. A partir de
1953 foi autorizada a dissolução das comunas
rurais e o ressurgimento da pequena propriedade urbana.
Mas o maior mérito do regime chefiado por Tito foi
a manutenção da unidade de um país
que congregava diversos povos, de culturas e religiões
diferentes, alguns inimigos há muitos séculos:
sérvios (cristãos ortodoxos), croatas (católicos),
eslovenos (católicos), bósnios (muçulmanos),
húngaros e albaneses, entre outros.
Apesar dessas diferenças, enquanto Tito viveu a Iugoslávia
usufruiu de um período de estabilidade política.
Quanto à economia, em 1967 foram feitas reformas
para alcançar o que era denominado socialismo
de mercado. Tratava-se de uma tentativa de combinar
a livre iniciativa com alguns princípios socialistas
e melhorar o desempenho do setor produtivo. Nessa difícil
passagem para a economia de mercado, sobreveio um período
de crise, com desemprego, inflação e endividamento
externo.
Pouco antes de sua morte, em 1980, Tito procurou uma forma
de manter unido o país. Criou então a presidência
rotativa, a ser exercida pelas lideranças de cada
uma das seis repúblicas, alternadamente. Esse sistema
não eliminou o descontentamento crescente das repúblicas,
que explodiu com força após a morte de Tito.
Na verdade, as desigualdades entre as repúblicas
vinham se acentuando com a crise econômica. A Eslovênia,
por exemplo, cuja população representava apenas
8% do total da Iugoslávia e produzia 30% do PIB,
passou a reclamar dos subsídios dos fundos federais,
destinados às regiões mais pobres.
O desnível econômico veio à tona com
muita força no início da década de
1990, na época de se efetuar mais um rodízio
na presidência da federação. Em maio
de 1991, era a vez do croata Stipe Mesic assumir a presidência
do país. Temendo que ele atendesse às reivindicações
das repúblicas mais ricas – a Eslovênia
e a Croácia, que propunham o separatismo ou um novo
arranjo no poder – os sérvios impediram a posse.
A Croácia e a Eslovênia, governadas desde dezembro
de 1990 por líderes de centro-direita, propunham
o estabelecimento de uma confederação de Estados
soberanos. A Sérvia, a maior das repúblicas,
se opôs a esse plano, insistindo em manter a federação
com um governo central forte. Seu presidente, Slobodan Milosevic,
acreditava ser possível manter a unidade do país
com o apoio do exército federal, que tinha em suas
tropas 43% de soldados sérvios.
Em 25 de junho de 1991, os parlamentos da Eslovênia
e da Croácia declararam unilateralmente a independência
de seus países. Como resposta, a Sérvia mobilizou
o exército federal, que começou uma ofensiva
contra a Croácia e a Eslovênia. Na Eslovênia
a luta foi rápida, mas na Croácia a violenta
guerra civil que se seguiu causaria 6 mil mortos e meio
milhão de desabrigados.
O conflito terminou com intervenção da ONU,
que enviou ao país 10 mil soldados das Forças
de Paz em janeiro de 1992.
No
mesmo mês, a União Européia reconheceu
a independência da
Croácia e da Eslovênia. Com a declaração
de independência da Bósnia-Herzegovina (1992)
e da Macedônia (1993), a República Federal
da Iugoslávia passou a ser formada apenas pela Sérvia
e por Montenegro.
Na Bósnia a independência foi seguida por uma
guerra civil de extrema violência entre os sérvios
bósnios e os muçulmanos. As milícias
sérvias eram apoiadas com armas, dinheiro e treinamento
pela Iugoslávia de Milosevic. Durante os quatro anos
em que durou a luta – que matou 250 mil pessoas –as
milícias sérvias foram responsáveis
por atos de barbárie, como estupros em massa e confinamento
em campos de concentração. Vários líderes
e chefes militares sérvios responderam diante da
justiça internacional por crimes contra a humanidade.
Em 1995, depois que a aviação da OTAN bombardeou
alvos sérvios e os Estados Unidos ameaçaram
intervir militarmente, foram estabelecidas negociações.
Como resultado, foi assinado um acordo pelo qual a Bósnia-Herzegovina
passou a ser um Estado formado pela Federação
Muçulmano-Croata e pela República Sérvia
da Bósnia. Para garantir a paz, a ONU deslocou para
a Bósnia 60 mil soldados.
|