A Iugoslávia, formada por seis repúblicas, permaneceu unida até a morte de seus dirigentes máximos. Josef Broz Tito, em 1982. Após a sua morte, temendo o desejo de supremacia das outras repúblicas, Croácia e Eslovênia, declararam-se independentes. Começou a guerra civil, com a Sérvia atacando a Croácia.

 

 

A luta entre Sérvia e Croácia não poupou nem as igrejas, sinal de ódios acumulados há mais de 400 anos. Resultado: mais de 6000 mortos, meio milhão de desabrigado.

 

 

Para se proteger dos bombardeios, milhares de pessoas buscavam abrigos subterrâneos, como este, construído durante a Segunda Guerra Mundial. No início de 1992, o fim da Iugoslávia como federação parecia praticamente certo.

 

 

Obs: Voivodina e Kosovo são províncias subordinadas a Sérvia.

 

 



Durante a Segunda Guerra Mundial, a Iugoslávia foi ocupada por forças nazistas. Surgiu então um movimento guerrilheiro de resistência, comandado por Josef Broz Tito. Terminada a guerra e expulsos os nazistas, Tito conseguiu reunir sob sua liderança as diversas nacionalidades que compunham o país e formar uma federação com seis repúblicas: Sérvia, Croácia, Eslovênia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Macedônia,

Tito e seus seguidores eram socialistas, e o sistema político estabelecido no país após a guerra foi o socialismo. Inicialmente a Iugoslávia manteve-se alinhada com a União Soviética de Stalin. Mas já em 1948 Tito afastou-se das diretrizes impostas pela União Soviética e definiu um modelo próprio de socialismo. Uma das características desse modelo era a autogestão das fábricas pelos operários. A partir de 1953 foi autorizada a dissolução das comunas rurais e o ressurgimento da pequena propriedade urbana.

Mas o maior mérito do regime chefiado por Tito foi a manutenção da unidade de um país que congregava diversos povos, de culturas e religiões diferentes, alguns inimigos há muitos séculos: sérvios (cristãos ortodoxos), croatas (católicos), eslovenos (católicos), bósnios (muçulmanos), húngaros e albaneses, entre outros.

Apesar dessas diferenças, enquanto Tito viveu a Iugoslávia usufruiu de um período de estabilidade política.

Quanto à economia, em 1967 foram feitas reformas para alcançar o que era denominado socialismo de mercado. Tratava-se de uma tentativa de combinar a livre iniciativa com alguns princípios socialistas e melhorar o desempenho do setor produtivo. Nessa difícil passagem para a economia de mercado, sobreveio um período de crise, com desemprego, inflação e endividamento externo.
Pouco antes de sua morte, em 1980, Tito procurou uma forma de manter unido o país. Criou então a presidência rotativa, a ser exercida pelas lideranças de cada uma das seis repúblicas, alternadamente. Esse sistema não eliminou o descontentamento crescente das repúblicas, que explodiu com força após a morte de Tito.

Na verdade, as desigualdades entre as repúblicas vinham se acentuando com a crise econômica. A Eslovênia, por exemplo, cuja população representava apenas 8% do total da Iugoslávia e produzia 30% do PIB, passou a reclamar dos subsídios dos fundos federais, destinados às regiões mais pobres.

O desnível econômico veio à tona com muita força no início da década de 1990, na época de se efetuar mais um rodízio na presidência da federação. Em maio de 1991, era a vez do croata Stipe Mesic assumir a presidência do país. Temendo que ele atendesse às reivindicações das repúblicas mais ricas – a Eslovênia e a Croácia, que propunham o separatismo ou um novo arranjo no poder – os sérvios impediram a posse.

A Croácia e a Eslovênia, governadas desde dezembro de 1990 por líderes de centro-direita, propunham o estabelecimento de uma confederação de Estados soberanos. A Sérvia, a maior das repúblicas, se opôs a esse plano, insistindo em manter a federação com um governo central forte. Seu presidente, Slobodan Milosevic, acreditava ser possível manter a unidade do país com o apoio do exército federal, que tinha em suas tropas 43% de soldados sérvios.

Em 25 de junho de 1991, os parlamentos da Eslovênia e da Croácia declararam unilateralmente a independência de seus países. Como resposta, a Sérvia mobilizou o exército federal, que começou uma ofensiva contra a Croácia e a Eslovênia. Na Eslovênia a luta foi rápida, mas na Croácia a violenta guerra civil que se seguiu causaria 6 mil mortos e meio milhão de desabrigados.

O conflito terminou com intervenção da ONU, que enviou ao país 10 mil soldados das Forças de Paz em janeiro de 1992.

No mesmo mês, a União Européia reconheceu a independência da
Croácia e da Eslovênia. Com a declaração de independência da Bósnia-Herzegovina (1992) e da Macedônia (1993), a República Federal da Iugoslávia passou a ser formada apenas pela Sérvia e por Montenegro.

Na Bósnia a independência foi seguida por uma guerra civil de extrema violência entre os sérvios bósnios e os muçulmanos. As milícias sérvias eram apoiadas com armas, dinheiro e treinamento pela Iugoslávia de Milosevic. Durante os quatro anos em que durou a luta – que matou 250 mil pessoas –as milícias sérvias foram responsáveis por atos de barbárie, como estupros em massa e confinamento em campos de concentração. Vários líderes e chefes militares sérvios responderam diante da justiça internacional por crimes contra a humanidade. Em 1995, depois que a aviação da OTAN bombardeou alvos sérvios e os Estados Unidos ameaçaram intervir militarmente, foram estabelecidas negociações. Como resultado, foi assinado um acordo pelo qual a Bósnia-Herzegovina passou a ser um Estado formado pela Federação Muçulmano-Croata e pela República Sérvia da Bósnia. Para garantir a paz, a ONU deslocou para a Bósnia 60 mil soldados.