
A morte de Stalin, em 1953, desencadeou uma acirrada disputa
pelo poder. Venceu Nikita Kruschev, identificado com a burocracia
dirigente do Partido Comunista da União Soviética
(PCUS). Em 1955, sob essa nova liderança, a União
Soviética passou por um processo de liberalização
do regime. Uma das prioridades foi o aumento da produtividade
agrícola, obtida pela descentralização
de áreas econômicas, gerenciadas por conselhos
locais.
Outro avanço notável ocorreu no âmbito
da tecnologia espacial: no dia 4 de outubro de 1957, a União
Soviética surpreendeu o mundo com a notícia
de que tinha colocado em órbita da Terra um satélite
artificial, o Sputnik. Era uma façanha sem precedentes.
Menos de quatro anos depois, no dia 12 de abril de 1961,
o mundo tomou conhecimento de outro feito espetacular: pela
primeira vez, um homem se deslocava em órbita da
Terra, livre da atração gravitacional. O nome
do astronauta correu mundo: lúri Gagarin.
Mas a realização mais importante de Kruschev
ocorreu no campo político. Internamente, ele deu
início a um processo de abertura, amenizando o rigor
da censura, reduzindo o poder da polícia política,
reabilitando presos políticos e fechando diversos
campos de trabalhos forçados. Esse processo recebeu
os nomes de degelo e desestalinização,
ou seja, eliminação dos traços deixados
por Stalin na vida da União Soviética.
O marco decisivo da desestalinização foi o
XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética,
em fevereiro de 1956, no qual Kruschev revelou e denunciou
os abusos e crimes cometidos por ordem de Stalin.
Esse fato repercutiu de maneira ampla nos países
socialistas da Europa Oriental, estimulando dissidências.
Mas a pesada herança stalinista ainda se fazia sentir:
pela intervenção militar, a União Soviética
não permitiu que rebeliões ocorridas em 1956
na Polônia e na Hungria desviassem esses países
de sua linha ideológica.
No plano externo, Kruschev deu início a um processo
de aproximação com os Estados Unidos. Num
gesto de grande coragem, em 1959 fez uma visita de diversos
dias àquele país. Era a primeira vez que um
dirigente da União Soviética pisava solo americano.
Ao retornar a seu país, Kruschev declarou: “Eu
vi os escravos do capitalismo. E vivem bem.” Através
dessa aproximação com os Estados Unidos, teve
início o que se denominou coexistência
pacífica entre as duas superpotências.
Em 1959 o bloco socialista seria ampliado com a inclusão
de Cuba, primeiro país da América Latina a
adotar o regime comunista, em decorrência de uma revolução
liderada por Fidel Castro.
A política de degelo e a aproximação
com o Ocidente não agradaram aos dirigentes da China,
que tinha feito sua revolução socialista em
1949. Lá, o fervor revolucionário não
admitia aproximações com os países
capitalistas nem afrouxamento da rígida disciplina
doutrinária. Para o líder Mao Tsé-Tung
e seus seguidores, o que estava acontecendo na União
Soviética, era revisionismo, desvio do caminho
revolucionário idealizado por Lenin. Após
um período de acusações, em 1960 os
dois países romperam relações. Milhares
de técnicos soviéticos que trabalhavam no
desenvolvimento de projetos na China foram chamados de volta,
deixando interrompidas numerosas obras.
Em 1961, novos acontecimentos viriam mostrar, de forma crua,
que as relações entre os países comunistas
e capitalistas estavam longe de se normalizar. Na Europa,
o governo da Alemanha Oriental, para evitar a fuga de cidadãos
para o outro lado, mandou erguer um muro fechando a fronteira
entre Berlim Oriental e Berlim Ocidental. Símbolo
da intolerância política e grande marco da
guerra fria, o muro de Berlim só viria a ser derrubado
em novembro de 1989.
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