O bumba-meu-boi

Lalo de Almeida/Folha Imagem

Participantes do Festival Folclórico de Parintins na Amazônia, preparando-se à margem do Amazonas para a apresentação no bumbódromo da cidade.

O bumba-meu-boi é um dos folguedos populares mais conhecidos no Brasil. Essa manifestação folclórica, comemorada no dia 28 de junho, é encontrada em grande parte de nosso território e recebe nomes diferentes. No Nordeste é conhecido como bumba-meu-boi; no Centro-Oeste, como boi-a-serra; em Santa Catarina, como boi-de-mamão e nos estados do Norte como boi-bumbá.

Nos últimos anos, muitos turistas que visitaram o estado do Amazonas no mês de junho dirigiram-se a Parintins, cidade situada a 420 km de Manaus, à margem direita do rio Amazonas. Ali, a apresentação de uma mistura do bumba-meu-boi do Nordeste com lendas indígenas, características da cultura dos povos locais, resulta no Festival Folclórico de Parintins, conhecido internacionalmente.

Os folguedos do boi são uma encenação dramática, que ocorre nas praças e ruas. Enquanto os folguedos do bumba-meu-boi na região Nordeste são tradicionalmente encenados entre o dia do Natal e o dia de Reis, no estado do Maranhão e nos estados do Norte eles ocorrem principalmente durante as festas juninas. Entretanto, por causa do turismo, as festas do boi vêm sendo encenadas em todos os finais de semana em algumas cidades. No Maranhão, no mês de junho, as ruas de São Luís ficam geralmente cheias de bois coloridos, cabeça feita de madeira ou papel machê. Mas quem lhe dá vida é um adulto, ou criança, que ao som de bumbos, violas, pandeiros faz o povo dançar ou correr de suas investidas.


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O Boi-bumbá é uma das festas mais populares do Brasil.

Boi-bumbá: uma história de morte e ressurreição

As encenações do boi-bumbá variam de região para região, mas em todas o tema central é a morte e a ressurreição de um boi, contada por meio da história da mãe Catirina, uma grávida que sente o desejo de comer língua de boi. Seu marido, pai Francisco, mata o boi mais bonito da fazenda do patrão para agradar a esposa. Mas o rico fazendeiro descobre o ocorrido e manda prender pai Francisco. Como se trata de uma festa de rua, a população se envolve na trama, ora protegendo o herói dos seus perseguidores, ora tomando o partido do patrão. Depois de muitas peripécias para a libertação de pai Francisco, com a ajuda de um padre - ou de um pajé, em alguns casos -, o boi é ressuscitado e pai Francisco perdoado.

O desenrolar da história é acompanhado por instrumentos musicais como zabumba, pandeirão, matracas, maracas, cuíca, caixa, sanfona e cavaquinho. O boi é feito de uma armação revestida de tecido bordado e enfeitado de miçangas, fitas coloridas, lantejoulas, fitilhos, penas e palhas. Dentro dele, um homem pula e dança no meio da multidão. Em torno do boi - elemento principal do folguedo - surgem personagens locais como o prefeito, o doutor, os índios ou caboclos, além de personagens fantasiados de animais diversos.


Bibliografia consultada:
Dicionário do Folclore Brasileiro, de Luís da Câmara Cascudo. Belo Horizonte, Itatiaia, 1984.
Almanaque Abril - Brasil 2001. São Paulo, Abril, 2001.

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