A festa mais popular da cristandade

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Cena do filme O estranho mundo de Jack: Papai Noel é levado para o mundo do Halloween para que seus habitantes possam comemorar o Natal.

Seja no hemisfério norte, que nessa época do ano está no inverno, seja no sul, que nessa época está em pleno verão, o Natal é sempre comemorado nos países de religião cristã.

É uma época de festas, de troca de presentes, de ceias com comidas tradicionais. As ruas, as casas, as lojas se enfeitam com os símbolos desse período: a árvore-de-natal, as coroas de Natal, as bolas multicoloridas e as canções tradicionais. O clima é de festa.

Embora a Páscoa seja a principal festa dos cristãos, o Natal é a mais popular, a que mais envolve as pessoas, as famílias e sobretudo a criançada. É a festa em que se comemora o nascimento de Jesus Cristo, segundo a fé cristã, o próprio filho de Deus que se encarnou e viveu entre os homens. Há, porém, uma série de questões importantes que até hoje causam controvérsias sobre a data de nascimento de Jesus, o dia 25 de dezembro.

De fato, não há registros de comemorações da natividade de Cristo entre os primeiros cristãos. Esse fato seria justificado pela ausência de menções, nos textos do Novo Testamento, de uma data alusiva ao nascimento de Jesus Cristo. Além disso, o cristianismo dos primeiros séculos lembrava não o nascimento de seus santos e mártires, mas sim a sua morte, o dia em que tinham deixado essa vida para viver no céu entre os eleitos.

A principal referência a esse fato é a própria Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. Comemorar a morte e não o nascimento de seus santos foi a tradição que se estabeleceu entre os cristãos, principalmente entre os católicos. Segundo os registros históricos, a festa do nascimento de Jesus só veio aparecer por volta do quarto século do cristianismo.


Origem da data do Natal

Até o século IV os cristãos eram perseguidos pelo governo romano e pelos pagãos. Porém, no século IV, o imperador romano Constantino converteu-se ao cristianismo, transformando-o na religião do Império. Assim, o mundo romano começou a aceitar e incentivar a adoção da religião cristã, popularizando-a. Como muitas tradições e festas pagãs estavam arraigadas na cultura romana, era necessário dar a elas um novo significado.

No hemisfério norte, o solstício de inverno se dá por volta do dia 21 de dezembro. Esse é o dia mais curto do ano em relação à noite. A partir daí, a duração dos dias começa a aumentar até o mês de julho, quando ocorre o dia mais longo do ano. No dia 25 de dezembro, comemorava-se o nascimento do Sol, pois sua permanência no firmamento só tenderia a crescer desta data em diante.

A Igreja não possuía nenhum documento em que pudesse se basear para afirmar a data em que Cristo nasceu. Assim - de acordo com uma das teorias para a escolha do dia 25 de dezembro -, a Igreja fez coincidir o dia do nascimento de Cristo com o do culto pagão ao nascimento do Sol. Essa data, então, propagou entre os fiéis a idéia de que o Filho de Deus era a luz que se acendia para iluminar o Universo.

Segundo algumas fontes, no ano de 353, o papa Libério determinou em Roma que a celebração do Natal deveria se dar no dia 25 de dezembro. A data não foi adotada imediatamente em todo o mundo. No Egito, só foi adotada a partir de 432; em Jerusalém, a partir do século VI; e ainda hoje os monofisistas armênios mantêm o 6 de janeiro como a data de nascimento de Cristo.

Monofisismo - O monofisismo é uma doutrina que não aceita a definição ortodoxa da Igreja, segundo a qual Jesus Cristo tinha duas naturezas: a humana e a divina. O monofisismo reconhece apenas a natureza divina de Jesus Cristo. Foi condenada no Concílio de Calcedônia, em 451. Atualmente é representado pela igreja Jacobita, da Síria, pela igreja Armênia e pela Copta, no Egito e na Etiópia.


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Presépio feito pelos artesãos da Casa de Figueiro, de Taubaté (SP).

A origem do presépio

Segundo os relatos evangélicos, quando Cristo nasceu os pastores estavam no campo guardando seus rebanhos, durante a noite. Se considerarmos esse relato verdadeiro, Cristo não poderia ter nascido em dezembro. Isso porque, na Judéia, os pastores retiravam as ovelhas do campo em outubro, para protegê-las da chuva e do frio do inverno. Só retornavam no início da primavera, em abril ou maio.

É verdade também que os dois evangelistas - Lucas e Mateus - responsáveis pelos relatos sobre o nascimento de Cristo não presenciaram as cenas que descrevem a sagrada família na manjedoura. Estudiosos dos Evangelhos observam que falar do nascimento do Filho de Deus, de sua origem e das condições em que nasceu era importante para fortalecer a fé das primeiras comunidades cristãs. Afinal, o Filho de Deus, como qualquer ser humano, havia nascido de uma mulher. Como um grande personagem, tinha uma origem importante: descendia de Davi, um rei judeu sábio e famoso; e por falta de lugar nas hospedarias de Belém, José e Maria tinham se abrigado em um estábulo, onde Cristo nasceu.

Em 1223, um fato deu novo impulso à concepção do nascimento de Jesus: são Francisco de Assis organizou pela primeira vez a reconstituição da natividade de Cristo conforme a descrição contida nos evangelhos. Na igreja de Greccio, reproduziu o estábulo com a manjedoura onde Maria depositou seu filho. E como não poderia deixar de fazer, são Francisco colocou o boi e o burro ao lado de Cristo, pois o Natal deveria ser a ocasião para todos se alegrarem. A partir daí, estabeleceu-se o costume popular de montar o presépio durante o período das festividades natalinas.

Com o passar do tempo, os povos foram incorporando outras manifestações para festejar o nascimento do Menino Deus. No Brasil, temos, por herança dos evangelizadores e colonizadores, as pastorinhas e os reisados que, a cada ano, promovem danças e festas populares.


Os presentes de Natal

Também segundo os Evangelhos, três reis magos, reconhecendo que o Filho de Deus havia nascido, foram até Belém levar-lhe oferendas, em sinal de reverência. Essa é uma das explicações que se costuma dar para um dos costumes mais tradicionais do Natal: a troca de presentes.

Associada a esse hábito está a figura do Papai Noel: um velhinho bom que distribui presentes para as crianças. Este é um dos símbolos mais característicos das festividades natalinas, uma adaptação da figura de são Nicolau, sobre o qual correm muitas lendas. Sabe-se, no entanto, que ele viveu no século V e foi bispo de Mira.

Conta-se que ele tinha o costume de, no dia 6 de dezembro, dar presentes às escondidas para crianças pobres e pessoas necessitadas. Segundo essa versão, vem daí o hábito de esconder os presentes, sobretudo das crianças.


Fonte consultada:
Dictionnaire Hachette Multimédia Encyclopedique 98. Venves, Hachette Livre, 1997.

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