A moreninha 2: A missão
Ivan Jaf
Diogo é invejado pelos amigos da república de estudantes onde mora: seu sucesso com as meninas é um absurdo, ele fica com todas e não sobra pra ninguém. Os amigos também não se conformam que ele
conquiste tantas e não se entregue a nenhuma. Então apostam que,numa festa, ele ficará perdidamente apaixonado por uma garota e não vai querer ficar com mais ninguém. No romance A moreninha há uma aposta idêntica a esta, feita a Augusto, um sujeito muito parecido com
Diogo, galinha que nem ele. E as coincidências não param por aí.
Muitas outras surpresas aguardam Diogo, e também o leitor.

1. Possibilidades Pedagógicas
1 Estimular a leitura do livro A moreninha. A história, contada por Ivan Jaf, leva a personagem principal – e o leitor – a traçar paralelos entre o enredo da obra de Joaquim Manuel de Macedo e os fatos vividos pelos protagonistas, em um lugar conhecido como Ilha da Guaratiba, em um final de semana com direito a churrasco e curtição em uma rave: “É isso. O livro trata do resgate de um amor de infância, e dos misteriosos poderes de uma ilha” (p. 55).
2 Conhecer também a influência do Romantismo português, principalmente o da obra Viagens na minha terra, de Almeida Garrett sobre o romance A moreninha: “Amar é preferir alguém a todos os outros. “(...) O amor é um anzol que, quando se engole, agadanha-se logo no coração da gente, donde, se não é com jeito, o maldito rasga, esburaca e se aprofunda” (p. 74).
3 Destacar a importância do conhecimento do contexto sócio-histórico para compreender um texto: “Uma das coisas que mais o atraía no estudo da literatura era compreender como o momento histórico em que vivia fazia o escritor expressar sua realidade de uma maneira, e não de outra” (p. 31). Cf. Outros olhares sobre A moreninha (p. 89 a 95).
4 Estimular a produção de texto, encarando com otimismo o desafio: “– Espera! Você perdeu a aposta! Isso quer dizer que deve-me um romance – Murilo repetiu a frase do livro. Diogo não reclamou. Aquilo era bem melhor do que ter ganhado a aposta. Encontrara o amor, e escreveria um livro. Qual é o estudante de Letras que não quer escrever um livro? Não ia ser difícil” (p. 87).
5 Conhecer características do Romantismo: “O ultrarromantismo idealizava totalmente o amor. As mulheres viravam seres imateriais, sem corpo... anjos, virgens... Não havia a realização amorosa, o ato físico” (p. 48) Cf. sugestão didática 4 no Roteiro do Professor, encarte que acompanha o exemplar para exame do professor.
6 Refletir sobre o relacionamento dos jovens com alguém do sexo oposto, discutindo amor, amizade, inseguranças, preconceitos...

 

2. Abordagens Interdisciplinares

LÍNGUA PORTUGUESA
• nova ortografia da língua portuguesa: “Para com isso.” (sem acento diferencial, p. 13); “Ultrarromantismo” (palavra sem hífen, p. 67).
• recursos de linguagem
– polissemia: “De repente, virava o rosto na direção certa, no momento exato, olhava a menina nos olhos, e pronto. Ficava. (...) Era assustador. Como D. Pedro I, Diogo podia gritar: Diga ao povo que fico!” (p. 14).
– trocadilho: “Por ter tido a incrível sorte de descobrir o Joaquim Manuel de Macedo mais cedo, achavase, apesar desse trocadilho idiota, seguro e prevenido” (p. 30).
• as escolhas de linguagem e a escolha da gramática de uso e não da gramática normativa: “Tu é feio pra caramba!” (p. 11).
ARTE
• Música:
– rap como música que expressa os anseios e as dificuldades de uma camada da população: “O rádio da Kombi espalhava no ar um rap revoltado, visceral, urbano... expressão do que se passava do outro lado da janela da Kombi” (p. 31).
– crítica à não-criatividade da música eletrônica: “Quando chegaram perto, perceberam que o som que saía dos alto-falantes da caminhonete era o mesmo que rolava na rave. Mas isso não tinha nada de esotérico, misterioso, nem chegava a ser uma coincidência, porque a música eletrônica é toda igual” (p. 65).
HISTÓRIA
• as relações de mudança e permanência como elemento estruturador do tempo na História.
• o relato histórico no âmbito da realidade em oposição à narrativa ficcional: “Trazer o plano dos sonhos, as metáforas, os símbolos, para a realidade concreta... querer viver o mundo simbólico como realidade... perder a capacidade de distinguir a imaginação do mundo real... típicos sintomas de uma psicose delirante... de um distúrbio alucinatório...” (p. 77). Cf. Sugestão didática 1 no Roteiro do Professor.
GEOGRAFIA
• a observação de semelhanças e de diferenças como elemento estruturador do conhecimento do espaço geográfico: “– Que ilha? – Murilo esfregou o olho, acordando. – Não é uma ilha? Tinha de ser um pedaço de terra cercado de água por todos os lados. – Ah... não... Eles chamam isso aqui de ‘ilha’ porque essas terras pertenciam a um inglês chamado seu William. Como o povo não sabia falar direito o nome dele, seu uiliam... uilham... acabou ficando seu Ilha, de Guaratiba” (p. 32).

 

3. Temas Transversais

ÉTICA
• a tênue fronteira entre legalidade e ilegalidade em alguns segmentos da sociedade brasileira: “As Kombis piratas saíam de uma rua escura e suja, atrás da estação ferroviária da Central do Brasil” (p. 30).
TRABALHO E CONSUMO
• o consumismo e sua relação com a pobreza cultural da programação televisiva: “Quando leu esse trecho pela primeira vez, Diogo foi ao dicionário saber o que significava ‘chuchar’. Era o mesmo que sugar. Era o termo que se usava a respeito das bruxas, na Idade Média. A bruxa chucha a criança para tirar sua energia. Diogo lembrou que havia uma apresentadora de tevê com esse nome e que também fazia isso” (p. 58).