A língua do contrário
Heloisa Prieto

Paulo e Vítor são dois amigos tão diferentes mas inseparáveis! Inventam uma brincadeira: a língua do contrário, quando falam alguma coisa, na verdade querem dizer outra totalmente inversa. Essa brincadeira irrita demais a turma da escola, que se junta e se apronta para a briga... Nesse instante um grande temporal começa, portas e janelas batem como estrondo e a luz se apaga. Susto e medo fazem as crianças esquecerem a irritação, se unirem em um abraço e sentirem como é importante ter amigos.


1. Possibilidades Pedagógicas

1 Estimular a leitura-prazer por meio de um texto simples, com frases curtas, escrito em letra bastão, com ilustrações coloridas e significativas, que dialogam com o texto verbal, permitindo a facilitação da leitura.

2 Identificar relações de semelhança e de diferença entre as situações cotidianas vividas pelos leitores na mesma fase escolar das personagens.

3 Relacionar as escolhas de linguagem e os efeitos de sentido provocados por:
• escrita em linha curva;
• destaque gráfico de algumas palavras;
• pontuação expressiva;
• uso de onomatopéias.

4 Refletir sobre a escolha dos amigos, a cumplicidade que se estabelece e a identificação a partir de gostos e semelhanças.

5 Analisar relações de convivência no ambiente escolar, avaliando atitudes das oito personagens diferentes diante de uma situação de medo.

6 Refletir sobre respeito e tolerância, liberdade de expressão, cooperação e boa convivência.

7 Estimular atitudes de respeito às características pessoais, valorizando a contribuição de cada um na resolução de problemas coletivos.

8 Destacar a narrativa de histórias como momento de prazer, de equilíbrio e de compartilhamento de emoções.

 

2. Abordagens Interdisciplinares

LÍNGUA PORTUGUESA
• Jogos de palavras a partir dos contrários: “veste seu casaco x não estou com frio” (p. 4), “mochila pesada x mochila é tão leve” (p. 5), “faz um gol x nããããoooo!” (p. 6)
• Uso de elementos gráficos como setas para indicar sentido contrário. (p. 8-9)
• Uso de onomatopeias: “BLAM!” (p. 15), “PLAC!” (folder), “CLAP CLAP” (p. 19).
• Estruturação de diálogos no discurso direto: “diz: – Eu não estou com frio.” (p. 4), “grita: – Nããããoooo!” (p. 6), “disse bem alto: – Esse castelo não está nada bonito!” (p. 12), ”foi respondendo: – Não mesmo!” (p. 13).
• Uso do travessão indicando alternância de quem fala: “elas iam contando uma frase cada uma: – O gêmeo que ficou não parava de chorar. – O criador do universo sentiu pena. – Transformou os dois em deuses iguaizinhos.” (p. 26).
• Exploração das escolhas feitas com vista aos efeitos de sentido relacionados ao suspense: “tarde de tempestade” (p. 10), “a porta da classe bateu com toda força.” (p. 15), “a luz apagou” (p. 16), “as janelas estalaram fazendo um barulho forte.” (p. 20).
• Inserção de uma outra história dentro da narrativa principal: “Era uma vez dois príncipes gêmeos...” (p. 20).

ARTE
• Ilustrações significativas, ricas em cores, em constante diálogo com o texto verbal.
• Técnica do desenho a quatro mãos em que uma criança começa o desenho e a outra completa os detalhes, conforme sugerido no texto (p. 10).
• Observação das expressões faciais das personagens nas ilustrações a partir de pequenos detalhes: alegria (p. 8), irritação (p. 14), medo (p. 16), amizade (p. 21).
• Orientação da capa: posição das personagens e da letra R em “Contrário”.

 

3. Temas Transversais

ÉTICA
A história favorece o desenvolvimento de conteúdos quanto ao tema Ética:
respeito mútuo como condição necessária para o convívio social e familiar;
liberdade de expressão e uso do diálogo para entender o ponto de vista do outro;
solidariedade como uma forma de atuação solidária em situações desafiadoras, fortalecendo
a ação coletiva.

SAÚDE
• A necessidade da criação e da imaginação na manutenção do equilíbrio emocional (papel da ficção).